Erasmo Portavoz

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

As coisas que ninguém viu

Existiam coisas que ninguém viu
Ninguém viu o mundo de fantasias
As fantasias de carnaval
Carnaval é festa no Brasil
O Brasil de norte a sul de anil
O anil do céu de aquarela
Aquarela de flores do agreste
O agreste dos cabras da peste

Existiam dores de agonia
Agonia de puro sangue vermelho
O vermelho das revoluções
Revoluções a cada dia
A cada dia e noite a guerra fria
A fria temperatura de nossa mente
A mente controla a sabedoria
A sabedoria dos inocentes

A vida é mais que fantasia
É a maior fonte de energia
De um poeta que aprendeu a amar
Amar é libertar-se
Doar-se
E dar liberdade

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A morte da velha "Patrimônia"

De repente, nada
E tudo que presenciou, virou escombros
Os casais que trocaram carícias
Os moleques que brincavam ao seu redor
Os encontros de artes
O vendedor de churrasco
E o pipoqueiro também

Sem contar com o jardineiro
E os moradores de rua, estrelas invisíveis
Sem contar com o seu corpo
Que tinha marcas que simbolizava o nosso alimento
E apesar de envelhecido, fruto da experiência
Servia de apoio para os pés inquietos

Só de olhar já sabia
Que sua vida se confundia
Com a história de seu lugar
Mas o tempo foi cruel coma aquela velha senhora
E ela se tornou um obstáculo
Uma pedra no caminho

Foi então que tudo desmoronou
O que antes era belo, se tornou velho demais pra existir
As marcas do corpo não simbolizavam mais o alimento
[Pois este virou enlatado
Não abrigava mais ninguém, todos têm uma casa agora
O jardineiro foi dispensado, não há mais árvores
O vendedor mudou de esquina
Os artistas foram pescar
Os moleques estão sentados no bar da esquina
Os casais fazem amor virtual

Em nome de um mundo novo
Sua morte foi decretada
Os amigos viraram carrascos
E seu corpo foi decapitado pelas máquinas ferozes
Sua história foi silenciada pelo barulho da ignorância
Sua memória foi apagada pela borracha do futuro
Seu corpo foi enterrado e nem um epitáfio ficou
É minha senhora, não há mais nada
Só o choro de um velório eterno

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Seu Pensamento

Estou parado na esquina esperando o próximo vento
Tentando talvez não parecer moldado
Adaptado pela voz silenciosa de um discurso poderoso
Mas enquanto eu estou aqui parado
Os espíritos livres fazem valer viver
Mas eu continuo parado sem me mexer
Me preparando pra...
Deixar a caravana passar e seguir latindo
Fingindo ter postura de cão bravo
Assustado com os gritos de guerra
Com os disparos e a cavalaria
Farejando o cheiro dos gases oficiais
Mas eu continuou aqui parado
E parado vou ficando, só falo se alguém mandar
Mesmo assim, eu destruo tudo por dentro
Tentando adquirir forças pra caminhar
Mas eu tenho medo do primeiro passo
Queria poder, queria fazer e assim ser
E de queria em queria, continuo parado
Mas eu me sinto seguro
Afinal de contas eu não sofro com o perigo
Pois estou sempre quieto
Apesar de discursar no banheiro
Desta forma já mudei o mundo e exterminei todo o mal
Mas na verdade eu não represento muita coisa
Quando eu morrer nem vão sentir minha falta
Só minha família, no dia do velório
No outro já estarão brigando pelo meu nada
Pois nada tenho e nada sou
Só tenho mesmo muita vontade, mas nunca digo pra ninguém
E assim, parado, querendo e torcendo, vou vivendo
Vivendo de camarote e reclamando da sorte
Vida pacata e sossegada essa minha
Por isso pareço sempre contente e radiante
Me sinto o ser mais perfeito do mundo
Por isso não me julgue, neste caso eu viro um leão
Muito prazer, eu me chamo Pensamento Filho da Puta
Mas pode me chamar de Seu Pensamento


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Quase morto, Brasil


Vamos festejar
Mais uma escola de samba
Vamos lamentar
Há mais um corpo na lama 
Vamos celebrar
É mais um troféu na grama
Vamos orgulhar
O país que a gente ama

Vamos festejar
Mais uma bunda canção
Vamos lamentar
Meninos morrem na prisão
Vamos celebrar
Um gol vale um milhão
Vamos orgulhar
O país do mensalão

Nem toda festa é samba
Nem toda morte é um drama
Nem toda copa se ganha
Nem toda nação é santa

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Homem, uma ilha

Carros, motos e poluição
Trabalho, família e multidão 
Passado, presente e futuro
Nada volta e tudo em volta
Tanta gente e quanta solidão

Político, polícia e ladrão
Salário, tributo e inflação
Nada, pouco, muito e tudo
Livro, escola, farol e esmola
Tanta gente e quanta solidão

Homens, mulheres e outra opção 
Herói, vítima, mocinho e vilão 
Torcida, briga e jogo de bola
Indivíduo sozinho em grupo
Tanta gente e quanta solidão

Pequeno quintal

Somos meninos inquietos
Esperando o momento ideal
Pra fazer travessuras
O mundo, um pequeno quintal

No peito a alegria medonha
No corpo, as marcas do dia
Em casa caderno e TV
Na vida sonho e fantasia

Mas mesmo assim sente medo
De ficar sozinho e chora 
O João tem muitos brinquedos 
E eu só tenho uma bola





terça-feira, 9 de agosto de 2011

As águas do Araras

Açude Araras
Cantarei uma canção
Que eu fiz pra você
Meu grande amor
Meu bem querer

As águas do Araras
São Oasis no sertão
Dá pesca ao pescador
E dá de beber
Ao jardim sem flor

Açude Araras
Reflete o pôr do sol
É fonte de riqueza
E dá mais vida
A natureza 

As águas do Araras
Ontem eram rios
Hoje represada
Na parede
De terra amassada

Ontem era menino
Mas o tempo passou
 E ninguém percebeu
Que você envelheceu
E hoje é senhor